quinta-feira, 30 de abril de 2009

O pecado do vício solitário*

Por Lucas Carniel

"Eu pratiquei o vício solitário..." Era assim que os rapazolas resfolegavam aos sussurros nas sombras do confessionário. ("Masturbação" é um termo meio feio que só apareceu muitos anos depois.) "Vício solitário" dava a ideia de uma tristeza doce (quem sabe até melancólica) e humilhante. Lembro-me bem dos jovens seminaristas morrendo de tesão pelas mães dos colegas de seminário, que iam ao colégio com blusinhas e saias, sem contar o batom vermelho nos lábios carnudos e os sedosos cabelos louros , todas imitando os símbolos sexuais da época, como Marilyn Monroe e Jane Russell enquanto os futuros disseminadores das palavras de Deus lançavam aqueles olhares lânguidos, recheados de desejo e entravam em vertigem. Eu via, via tudo, do meu canto de menino. Que faziam eles para fugir do "vício solitário" às sombras das clausuras noturnas, em seus quartos onde só deviam professar a fé?Minha fé vacilava. Será possível que esse reles prazer de garoto fosse tão pecaminoso? Já não era o suficiente as mulheres e meninas inalcançáveis? O sexo era um crime irresistível e muito, muito prazeroso, talvez até mais para nós, pobres seminaristas, que com certeza jamais conheceriam o que o coito traz de melhor. Prazer, prazer, prazer, prazer estas palavras fulminavam em nossas mentes como se fossem feitas de gás neon verde e vermelho. Era de se convir que Deus e suas negras e ridículas batinas negras perdiam feio para Angelita Martinez (a mulher mais "gostosa" do mundo) ou para Virginia Lane. Eu rezava para ter fé e controlar a vontade própria de minha... outra cabeça, podemos colocar nestes termos, mesmo que sejam um tanto pornográficos. O padre olhava com vistas experientes minhas acnes como um cão de guarda raivoso: "As espinhas aumentaram nas férias, hein?..." Eu esfregava Lugolina na cara para esconder aqueles verdadeiras tumores que nasciam em minha cara com uma velocidade incrível e que mais tarde, já fora do seminário e sem ter que controlar como antes meus ímpetos sexuais, descobri que nada tinha a ver com o vício solitário. "Você sabe por que o vício solitário é um pecado mortal?", indagava o padre. "Porque cada vez que você o pratica, são milhões ("milhõessss!", ele repetia) de seres humanos que poderiam descobrir a maravilha que é a vida e que morrem na vala comum do papel higiênico, na cloaca dos esgotos ou no vazio dos pisos dos banheiros!". Minha culpa era total, além de marcado para arder no fogo eterno do inferno e ser detestado pelo Criador e além da humilhação de ver as meninas do Colégio Jacobina passando intocadas com suas bundinhas lindas e pequenos seios que já desbotavam de blusinhas de lãs, apontando o biquinho e anunciando o tamanho volumoso que teriam no futuro e que com certeza seriam o alvo de "homenagens" e "vícios solitários" de muitos outros pobres coitados, além de ver com desespero os primeiros biquinis em Copacabana, eu era um assassino de milhões, talvez bilhões. Por Cristo, não havia jeito, eu estava perdido! Eu era uma espécie de Hitler, serial killer de pobres inocentes que jamais descobririam os prazeres da vida, além do mais e o pior de todos os problemas que um adolescente seminarista dos anos 50, não comia ninguém, absolutamente ninguém, a não ser em minha mente e no frio mármore dos banheiros do seminário. E, com a culpa na alma, matei milhões de homens no banheiro, nações inteiras foram exterminadas por minha mão assassina e impiedosa. Minha fé derretia como uma vela acesa de dia de Finados no fim de novembro. O padre berrava no púlpito: "Tua alma vai para o inferno queimar no fogo... por toda a eternidade, herege!" "Eter-ni-daaaaade!" ecoava pelos espaços siderais e eu questionava a doutrina. Deus me parecia violentíssimo, nos obrigando a queimar para sempre, por nada. E aí surgia a pergunta agnóstica que acabava com a fé dos garotos:"Deus é infinitamente bom?", perguntávamos. "Sim, infinitamente"."Ele sabe tudo que vai acontecer?" "Sim...", respondia o padre, já desconfiado."Então, se ele sabe que o cara vai pecar e vai para o inferno, por que ele cria o cara?". Nenhum padre me respondeu essa questão ateia, até hoje. Mas, minha fé resistia, mesmo assim. Eu me perdia em discussões metafísicas com amigos diante do mar, minha alma se evolava para o espaço sideral, já que as doces mulatas do Rio não eram para os meus virgens beiços.
Antes da pílula, ninguém dava. O pânico das meninas era a gravidez. Por isso, muito se exigia dos pecadores solitários. Não havia ainda as revistas de sexo (invejo os jovens de hoje, com suas playboys e milhares de outras, com fotos cada vez mais ousados e sexys e maravilhosas e, e, e ... melhor parar por aqui) , mas apenas frigidas suecas em monocromia azul e preta deitadas em "Saúde e Nudismo", se bem que já surgira o grande Carlos Zéfiro, criador da masturbação "art deco". As fantasias eróticas eram narrativas. Pensávamos em professoras, nas mães, irmãs, primas gostosas dos outros. Os orgasmos eram literários: tinham personagens, conflitos, apoteoses. Masturbação era texto; hoje é videoclipe. Com as modernas revistas pornográficas, diminuiu muito a imaginação criadora dos descascadores de banana. Nossas fantasias hoje estão aquém das imagens da "indústria da sacanagem". Somos masturbados por ela. Um dia, chegou um padre novo, "moderno", diziam. Esperança. O padre falava uns palavrões, falava em "esperma", em órgãos sexuais. Era jovem e jogava futebol conosco (muitos anos depois, vi-o sem batina vagando pelo Posto 6). Achei que minha fé se fortaleceria, com um padre mais democrático e bom goleador. Devia haver um Deus mais solar, não tão negro e triste como queriam os velhos jesuítas. Até que um dia, o padre (nos falava de livros, filmes) nos contou uma das histórias cristãs mais belas (a seu ver) sobre a sexualidade juvenil. Tínhamos o quê? Uns 13, 14 anos. Era a história de um rapaz escoteiro, virgem, de 18 anos, forte e bonito, que estava fazendo um acampamento no Havaí. Uma tarde, ele sai a cavalo pelas praias galopando, feliz em sua castidade. Aí, resolve parar na areia branca, para descansar.Eis que... (ouvíamos em suspense) surge uma linda mulher havaiana (linda? hahaha em minha mente já infestada de imagens sexuais ela era alta, olhos verdes, bundinha empinada, peitos estourando para fora da regata extremamente decotada) , seminua, coberta de flores (o padre se esmerava em caprichar nos detalhes mais eróticos, ciente dos pensamentos que provocava em nós), que se aproxima do nosso herói virgem na areia e começa a dançar a hula-hula diante dele, sorrindo e se oferecendo sem o mínimo de pudor. Ouvíamos sem ar, constelados de espinhas e cravos. O padre continuava: "Eis que nosso herói fica fascinado pela linda havaiana e, apaixonado, febril, amolece como num sonho e vai cedendo à tentação (nossa esperança aumentava a cada palavra do padre). Até que a moça morena e cheia de curvas generosas chega bem perto dele, dançando, e lhe oferece os lábios carnudos e vermelhos". Tiritávamos de excitação com ‘aquele’ volume estourando em nossas batinas (pense, uns cinquenta adolescentes, todos de batina, ouvindo uma história daquelas, era de morrer bem louco). "Foi então que se deu o milagre!", berrou o padre, eufórico. "Nosso herói, à beira do colapso, reuniu suas últimas forças e, rezando padres-nossos e ave-marias, pulou no cavalo e saiu galopando o mais rápido que as patas do pangaré permitiam para longe da havaiana. "E ficou casto e puro!", bramia o padre. "Venceu a tentação!". Nosso silêncio foi brutal e desesperado. Dava para ouvir a indignação e o ateísmo lavrando como fogo entre os alunos solitários em seus vícios. E foi assim. Minha fé morreu ali, naquela sala de aula jesuíta no fim dos anos 50.

*Texto original do jornalista e cineasta Arnaldo Jabor, porém, com algumas modificações (principalmente nos detalhes mais calientes) por este novato e entusiasmado blogueiro rssss

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Bira, Alemão e Rádio no Faustão

Os vídeos Rosa Purpurina da banda Paraná Blues, O ovo ou a galinha de Alemão Blue e Ela me Faz Pirar da banda Radiophonics, artistas sudoestinos, estão no canal Garagem do Faustão do portal do Domingão na internet. As melhores performances votadas pelo público no canal ou escolhidas pela produção podem participar de blogs, programas de audiência regional ou nacional (como o próprio Domingão) e sites (como o G1 - maior portal de notícias do Brasil) da Rede Globo de televisão.

O vídeo Rosa Purpurina foi uma produção da II Jam Session realizada pelo guitarrista Gabriel Elvas que está em São Paulo em busca de novas oportunidades, já que, e por isso não está mais semeando seus talentos em Francisco Beltrão. A banda Paraná Blues está parada, sem criações, agenda de shows ou declarações.

O ovo ou a galinha é uma filmagem com playback do artista Alemão Blue. O cantor está concorrendo no concurso do Leoni com a composição Amores Vãos para fazer uma música junto com este. O vídeo da canção é um dos mais visualizados do concurso no YouTube. Alemão foi convidado a participar do programa Clip Mania da TV Beltrão, mas não apareceu por lá.

A banda Radiophonics tem um dos artistas mais consagrados do Sudoeste e teve sua música no topo das rádios de Francisco Beltrão. Uma versão rebelde da canção Fuscão Preto de Milionário e José Rico que arrancou popularidade através da Gincana da Independência promovida pela juventude do partido PMDB, cujo prêmio era um “fuscão preto”. Seu nome é Rodrigo Castellani, popular Digão, ele tem a voz mais aguda e rockeira que o sudoeste já ouviu.

Radio



Paraná




Alemão

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Exclusivo! Pedro Leite sairá do anonimato


O herói Pedro, que na realidade já deu as caras em algumas pequenas oportunidades, está em gravação para lançar a sua coletânea de composições, ou melhor, miscelânea.

Pedro Leite é estudante de direito em Curitiba, mas está em Francisco Beltrão gravando seu “monólogo” para lançar suas sementes na terra roxa do sertão artístico-sudoestino.

O menino prodígio com certeza marcará as páginas da cultura sudoestina abusando de seus dotes lingüístico-musicais inspirado no seu livro de crônicas lançado em 2007, “A Carriola das Flores”.

Desculpe se lhes expurguei esperançosa expectativa do cancioneiro popular, piorarás se ela não corresponder com eloqüência ao esperado, mas o menino será sem dúvidas o capitulo introdutório do livro histórico da cultura nesta pobre região intelectual.

Para Pedroca, a sua principal influência, além dos amigos, é de seu avô Heitor Ferreira Leite que, segundo ele, é o primeiro músico instrumentista de Francisco Beltrão cujas especialidades eram violino, violão clássico, trompete, sax e acordeom. “Com ele aprendi as coisas básicas da música e principalmente a gostar de produzir música”, disse à redação.

Em uma entrevista que o compositor fez para o blog Sudoeste Underground, disse que a música é o espelho da alma. “Balzac dizia que o homem é o que come. Alguns estilistas modernos - em defesa de sua categoria, é claro - dizem que o homem é o que ele veste. Outros, todavia, dizem que o homem é o que ele ouve. É claro que essa regra não se aplica integralmente, mas quando se fala em influências, tudo vale. Basta ver como se comporta um aficionado pelo Metal do Inferno de Iron Maiden, em relação a uma a um admirador do mesmo "Hell Song", das mãos de Ludwig Van Bethoven”, comentou.

O literato

Pedro Henrique Leite nasceu em Francisco Beltrão no estado do Paraná, “a Terra dos Pinheirais”, cujas idiossincrasias faz parte da sua vida e da sua forma de ver o mundo. Acadêmico em Direito, é um aficionado pela cultura e literatura. Foi premiado em vários concursos Literatura, entre eles destacam-se: V Concurso de Literatura de Francisco Beltrão – PR; XX Concurso Internacional Literário de Inverno; Concurso Nacional de contos “Newton Sampaio”.

Veja a matéria completa na edição do dia 1º de maio do jornal O Sudoeste.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Bolsa pra todos os gostos

Por Lucas Carniel

Depois de Bolsa Escola, Bolsa Família e diversas outras eis que surge outro programa para incrementar ainda mais as bolsas do governo federal: a Bolsa Cultura.
Segundo o ministro da Cultura, Juca Ferreira, a reformulação da Lei Rouanet, que é a lei que estimula a cultura, ainda está em discussão. Existe ainda a intenção de se criar um cartão de crédito cultural como um vale refeição, só que ao invés de “encher o bucho” do povão, vai encher o povão de cultura.
A lei oferece benefícios fiscais para empresas que patrocinem eventos culturais, tais como obras cinematográficas, shows, apresentações teatrais, entre outras. Com esta alteração seriam criadas novas isenções de impostos e a escolha dos eventos a serem patrocinados seria feita em parceria com o governo federal. Desta maneira a distribuição dos recursos formados pelos eventos de cunho social seria realizada em todos os cantos do país, até mesmo nos mais remotos rincões, pelo menos é isso que se espera. A intenção é muito boa e, querendo ou não, o incentivo e fomento à verdadeira cultura deve partir de algum lugar, uma vez que as pessoas não podem ficar escutando qualquer porcaria e achar que aquilo é música, ou ficar grudado o dia inteiro na Play Boy e ter a cara de pau de afirmar que só lê as reportagens (tô sabendo hehehe). Pelo menos mostra que o Ministério tem a intenção de levar cultura para todo o país, principalmente onde as verbas (bufunfa, cascaio) captadas através de eventos culturais são baixíssimas. Creio que as empresas não podem deixar de apoiar e até mesmo incentivar a iniciativa, afinal de contas todo o país só tem a ganhar.
O objetivo da criação do “Vale-Cultura” é oferecer, através de parceria com empregados e empregadores, cinquenta reais para serem gastos com cultura – seja a compra de livros (livros!!! Ouviu? Não revista Play Boy rsrsrsrsrs), em teatros, cinemas, e daí por diante. Parece ser utopia, mas, caso de certo, até pode ser aumentado, pelos governos estaduais e/ou municipais, os cinquenta mangos para uma quantia um pouco maior. Mas claro que uma oncinha, pelo menos no começo, tá de bom tamanho, já que existe milhões (e milhões e milhões) de pessoas que não gastam um centavo pra comprar um gibi que seja para os filhos.
Já não era sem tempo que o Brasil oferecesse novas oportunidades para o fomento à cultura, ou que pelo menos abrisse espaço para discussões. No modelo antigo (ou atual, pois a lei está sendo discutida para que passe pela reformulação) apenas os grandalhões – tanto produtores como patrocinadores – eram os detentores de grande fatia do mercado cultural. Agora, parecem que as portas se abrem para os pequenos projetos, inclusive para aqueles que, nos lugares mais remotos do Brasil, possam oferecer um vasto conhecimento para o enriquecimento cultural da sociedade.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

MOSTRA MUSICAL NO COLÉGIO SUPLICY


Por Andrius Scalabrin


Um dos objetivos foi socializar os alunos no início do ano letivo

No dia 20 de fevereiro, o Colégio Estadual Dr. Eduardo Virmond Suplicy realizou, em atividade extracurricular, uma Mostra Musical envolvendo direção, professores e alunos da escola. Os estudantes se reuniram no ginásio do colégio para prestigiar os ex-alunos: Marlon, Marcos e Rafael, da banda Siga-Seta.

Segundo as diretoras do colégio, Nilva e Zoneide, a Mostra Musical tem como objetivo “valorizar a diversidade cultural e socializar os alunos no início do ano letivo através de uma atividade descontraída, aproveitando a semana de véspera de Carnaval”. A Mostra Musical já foi realizada em anos anteriores.

As diretoras ainda colocaram que se pretende propiciar aos alunos mais momentos de interação cultural como esse, buscando talentos que foram alunos do Colégio Suplicy. As atividades propostas enriquecem o currículo escolar, além de propiciar aos alunos momentos de descontração.

O ex-aluno e vocalista da banda Siga-Seta, Marcos Vinícius Fagundes acredita que “isso incentiva os alunos a se interessarem pela Arte e pela Música. Seria interessante, também, realizar um evento de artes envolvendo outras áreas, não só a música. Acho que, na escola, a Arte é tão importante quanto o Esporte. Estou no meu segundo ano fora do colégio, e no meu último ano teve um evento que minha banda tocou. Eu acho que o Colégio Suplicy é um colégio mais avançado nesse quesito do que os outros, porque ele faz vários festivais, teatros, na Unioeste e no Espaço da Arte. Então, os outros colégios do município estão devendo mais do que o Colégio Suplicy que está dando exemplo”.

A História do Rock Beltrão - O rock está de volta

Ubirajara de Freitas em 13 de Julho de 2007

Rock Bel, anos 70.
Não se têm registros muito precisos, pois o rock, no Sudoeste do Paraná, na década de 70 e 80 era considerado, no máximo, um hobbie, se não uma faze que os pais torciam para passar logo. Associado ao sexo e às drogas, o rock sofria muito preconceito.

Medusa e The Bear - O rock beltronense iniciou talvez com uma banda chamada Medusa, cuja alguns componentes ainda moram em Pato Branco. “Parece que a banda acabou porque a polícia chegou numa festa e a banda estava participando de uma orgia. Tinha muita gente pelada e drogada. Essas informações não são muito precisas, pois já faz mais de 30 anos e as pessoas inventavam muito quando o assunto era rock. Tinha muito preconceito, então as bandas tinham que tocar de tudo, porque assim passavam a ser conhecidas como banda de baile. Mais tarde minha banda, chamada The Bear agitava os bailes em Nova Concórdia tocando Credence e a turma ia ao delírio”, relembra Zé Ramos.

Rock Bel anos 80

O cenário do rock brasileiro era propício somente no Rio, São Paulo e Brasília. No interior, ainda hoje, pouca coisa mudou e na década de 80 as informações chegavam muito atrasadas, portanto as bandas dessa época sofriam de várias formas: primeiro por causa do preconceito, segundo pela dificuldade de se gravar um LP (custava cerca de 40 mil reais apenas mil cópias, fora as despesas para se manter em outra cidade, pois no Paraná só existia uma ou duas gravadoras). Os instrumentos além de serem caríssimos era algo raro por essas bandas, até um simples disco era difícil de encontrar, só existia na HM e na Discorama. E terceiro pela falta de espaço, pois as oportunidades eram somente nos festivais ou festas particulares. Era difícil os bares onde uma banda regional tocasse (talvez na Varanda). Mesmo assim algumas bandas se destacaram:

Cano de Escape – Foi a primeira banda da geração Coca-cola, ou seja, que só tocava rock. “Começamos em 1984 (Diomar Martini - o “Nick” (guitarra e voz), Paulo – “Banana” (bateria), Miguel Perondi (guitarra), Moacir e Hamilton – “Até logo” (baixo). Colocamos um captador no violão e a palheta era um pedaço de pote de ximia, compramos um amplificador via correspondência e a bateria era improvisada com cesta de vime e cabo de vassoura. Tocávamos no porão da casa dos meus pais e depois conseguimos um espaço no antigo teatro municipal (atual Ed. Real Center)”, explica Banana. Depois entrou o Jair e logo em seguida a banda acabou.
Situação Crítica: Foi precursora da Cano de Escape, com Jair (guitarra e voz), Maguila (bateria), Osnir (baixo) e Nick (guitarra e voz). “Minha guitarra fui eu mesmo quem fiz e na Expobel de 1986 (foto) a banda Metrópole elogiou. Nos apresentamos até em Cascavel, num festival de rock promovido pelo Joarez Store, da Tarobá”, relembra Jair.

Tumor Puss: Com Alemão na voz e guitarra, Carlão no baixo e Jota na Batera, o Tumor Puss fazia parte de um grupo descolado de amigos que resolveram tocar as composições do Eliacir Henrique Romanini, o Caxuxo – “Um dia desses, de manhã bem cedo, enrolei meus sonhos numa seda macia, me baseei nos fatos que aconteciam... Essam eram as músicas do Tumor. Foi uma época inconseqüente, mas não me arrependo. Tumor Puss é passado, hoje tenho um estilo totalmente eclético nas minhas composições, devido aos jingles que faço para as empresas e toda a experiência musical que adquiri durante os anos. Agradeço ao meu falecido pai que me deixou um violão, uma caixa de som, alguns discos e um forte apreço pela música”, emociona-se Alemão.

Escória – Jair (guitarra e voz), Maguila (bateria), Roger Marcelo (guitarras), Cézar Flessak (Teclado), Jaime (vocal) e Fábio no baixo. “Essa foi uma das melhores bandas da região, tínhamos até um técnico de som, o Luiz e começamos a ter uma lado mais profissional, com contratos, fazendo aberturas de grandes shows, inclusive na Expobel”, diz Carlos (Maguila).

Reba Z9 – A banda iniciou em 1987 como a precursora do punk no Sudoeste. Desde o início os integrantes (primeira formação) Bira (bateria), Fábio Meoti (guitarra e voz) e Cezar Aguero (baixo) optaram pelas composições próprias no repertório, que incluía, dentre outras, Rosa Purpurina, que tocou em primeiro lugar nas rádios durante vários meses. Apesar de Rosa Purpurina completar 20 anos continua na voz e nas rodas de violão das novas gerações. “Depois de assistir o Rock in Rio nunca mais fui o mesmo. Voltei obcecado para formar uma banda a ponto de nós mesmos montarmos os próprios instrumentos. A primeira vez que vi uma guitarra na loja me decepcionei quando soube que precisava de caixa de som, cabo e pedal para fazê-la funcionar. A bateria era composta de gaiola de passarinho, placa de sinalização e caixas de tomate. Tive apenas três aulas de violão na Igreja Irmãos Menonita e me ensinavam só sertaneja”, completa Bira.

Domínio Insano – Celso Saccol (guitarra), Paulo “Banana” (guitarra), David (baterista), Chico Fagundes (1.º baixista), Renato Tesser (2.º baixista) e Ader (vocal). “Eu e o Saccol gostávamos de rock pesado e pensávamos que a gente tocava guitarra. Convidamos um loco que ia no Mário de Andrade com os discos do Iron Maiden em baixo do braço e ensinamos ele a tocar bateria, era o David, depois entrou o Ader, mas toda a vez que tínhamos show ele tava preso no quartel”, conta Paulo.

Rock Bel, anos 90
É impossível citar o nome de todas as bandas que existiram, algumas tiveram um breve passagem, outras nem saíram das garagens, mas Profecia, Chumbo Dirigível, Carmina Burana e Paraná Blues foram as que mais se destacaram na década de 90, gravando CDs.

Hoje em cada esquina existe uma banda e a maioria dos adolescentes tocam um instrumento, é um hobbie sadio e cultural. Essa evolução se deve ao rompimento das barreiras pelas bandas mais antigas e gradativamente a diminuição das dificuldades. As escolas de música também tiveram uma participação importante neste avanço das novas bandas, com técnicas de guitarra, baixo e bateria e outras atualizações de repertório. Um dos músicos que mais contribuíram com isso foi Gabriel Elvas, que realizou sua 4.ª Jam Session com o encontro de novos músicos e veteranos do rock.

Nova Geração
Beibbe Lee - Composto por Mauricio no Baixo, Giovani na Bateria, Didão na guitarra e Marcos guitarra e vocal. Apesar de terem iniciado há apenas três meses a banda já possui um vasto repertório de diferentes épocas. Sua estréia será na festa “Rock’n’Roll Night”, dia 20 de julho, na chácara do Banestado, junto com as bandas Paraná Blues, Chumbo Dirigível e a ilustre participação de Lico Candeias, guitarrista paulista de blues.

O que você anda lendo?


Por Lucas Carniel

Conheço muita gente que bate no peito e com muito orgulho afirmando que não gosta de ler e que isso (como se fosse uma coisa nojenta e abominável) é coisa de “bicha”. Até mesmo alguma das autoridades mais importantes do nosso amado e idolatrado país sempre que tem a oportunidade asseguram sem o mínimo de pudor que NÃO GOSTA DE LER (sem citar nomes, por favor rsssss).
Lançado no mês de novembro um site de relacionamentos vem experimentando um interesse crescente pelos usuários explorando um assunto que uma enorme parcela da população já se mostrou não muito adepta: a literatura.
O Skoob (livros, ao contrário, em inglês) é uma rede social (como Orkut, Facebook e outros tantos) que, além de fazer com que pessoas que jamais se veriam na vida se conheçam e até mesmo façam amizade (até aí nenhuma novidade, conheço uns trocentos sites que já fazem o mesmo), faz com que os usuários discutam, critiquem e troquem experiências literárias, fazendo da internet (espaço que, infelizmente, muita gente não usa de maneira devida, prova disso são as pesquisas que mostram o grande número de funcionários que acessa sites pornográficos nos escritórios) uma importante ferramenta rumo a intelectualização dos brasileiros e, consequentemente, o desenvolvimento cultural do país.
A rede social, criada por Lindenberg (já ouvi esse nome em algum lugar rsssss) Moreira, foi criada com a proposta de levar à internet as discussões que ele e seus amigos tinham sobre os últimos livros que haviam lido. Só que a grande surpresa foi que o Skoob não ficou apenas entre os amigos e se expandiu para todos os amantes dos livros. A alta procura após divulgação em blogs e sites de longo alcance fez com que o criador liberasse o site para o público em geral no começo deste ano. No começo de janeiro eram apenas 300 usuários. Na última semana a marca já tinha batido os 5 mil e 900, com 4 mil e trezentos ativos, ou seja, cadastrando livros ou se relacionando com amigos.
O site brasileiro segue os mesmos modelos dos congêneres americanos, tais como BookSprouts e Shelfari: na sua prateleira o usuário elenca todos os livros que leu, que está lendo ou que lerá e pode tornar-se amigo de outros usuários ou acompanhar o que ele atualiza no seu perfil. Na primeira página o internauta se depara com os livros mais lidos ou com os recentemente postados. Obras que vão de J. K. Rowling, Stephanie Meyer, Dan Brown, Stephen King até a série de livros infantis da Vagalume podem ser encontradas no site e até mesmo livros direcionados ao público espírita, católico...
O Skoob se prepara para testar um modelo comercial para se manter na ativa mesmo com o estouro da bolha online: parcerias com livrarias e editoras para tentar transformar os acessos em vendas. Resta saber se o gosto brasileiro pelos best-sellers é suficiente para justificar uma editora ou livraria a pagar pela rede social. Até agora, o Skoob tem dado motivo de sobra pra começar a faturar. Vejamos no médio prazo.
Particularmente achei a ideia muito boa, descobri muitas obras e indiquei outras tantas para os usuários. Mas no meu caso não vale, é muito fácil, pois ler é um dos meus maiores hobbies. Entretanto, imagino que o site pode ser uma grande ferramenta para que cada vez mais e mais pessoas finalmente (e até tardiamente) despertem o gosto para a literatura.
Acessa lá www.skoob.com.br.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Beltronenses criam a BuraculoTV

Por Carlos Peruffo em julho de 2008


Marco Detoni e Eduardo Quintana no momento em que discutiam sobre seus egos

O endereço é http://buraculo.net

A BuraculoTV é quase um programa de televisão, a diferença é que é na internet, o termo correto seria podcast. O primeiro episódio, chamado SustenidoUm, lançado dia 4 de julho, traz os amigos Marco Detoni, Eduardo Quintana e Marco Antonio falando sobre temas aleatórios, como o vestibular e a escolha da profissão durante quase 18 minutos.

Com mais humor do que sensatez o trio pioneiro proclama a regionalização da geração 2.0 de comunicação em vídeo através de internet. O site, em forma de blog, é bem simples e tem espaço para que as pessoas dêem a sua opinião. Os roteiristas prometem um segundo episódio mais divertido e menos piegas.

ArgoArgs (Marco Detoni) foi quem começou a história. Ele é estranho e tem personalidades múltiplas. Com uma idéia na cabeça a um bom tempo, Argo tentou reunir um pessoal. Conseguiu e deu nisso. Com o tempo uma galera legal foi reunida, e com isso, gravações começaram.

DarkHide (Marco Antonio) – O guitarrista prodígio brasileiro. É o mais novo de todos, mas quando abre a boca é pra falar de verdade! O que acontece muito pouco.

HashFive (Eduardo Quintana) – Individuo sério. Muito sério. Complicado compreender e muitas vezes, nerd. Tem um carro importado com rádio e teto solar.

AJ (Câmera) – Não se sabe muito sobre ele. Apareceu um dia com uma câmera e fez amizade com a galera. Suspeita-se de sua nacionalidade, mas, imagina-se que seja de outro planeta.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A decadência da Música Popular Brasileira

Década de 10
O rapaz de terno branco colete e, no exagero que só os apaixonados entendem, um cravo ou rosa na lapela, embaixo da janela de sua adorada, entoa: Tão longe, de mim distante, onde irá, onde irá teu pensamento? Quisera saber agora se esqueceste, se esqueceste o juramento. Quem sabe se és constante, se ainda é meu teu pensamento e minh'alma toda de fora, da saudade, agora tormento!"


Década de 20
Ele, ainda com o inseparável terno branco e um chapéu digno dos boêmios apaixonados, embaixo do sobrado da adorada, canta: "O linda imagem de mulher que me seduz! Ah, se eu pudesse tu estarias num altar! És a rainha dos meus sonhos..."

Década de 30
De terno cinza e chapéu panamá, em frente à vila dela, entoa a plenos pulmões: "Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa! Do amor por Deus esculturada. És formada com o ardor da alma da mais linda flor...”

Década de 40
Os tempos há muito que mudaram, ele ajeita seu relógio na algibreira, escreve para a Rádio Nacional e oferece para a amada os seguintes versos românticos: "A deusa da minha rua, tem os olhos onde a lua, costuma se embriagar. Nos seus olhos eu suponho, que o sol num dourado sonho, vai claridade buscar".

Década de 50
Ele pede ao cantor da boate que ofereça a ela a interpretação de uma lindíssima Bossa: Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça. É ela a menina que vem e que passa, no doce balanço a caminho do mar. Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema...”

Década de 60
O mundo é sacudido pelo começo de uma onda de manifestações estudantis, Ditadura (ou Ditabranda, como ridiculamente citou o jornal Folha de São Paulo, mas isso não vem ao caso agora rsss) e ele aparece na casa dela com um disco embaixo dos braços, ajeita a calça Lee e coloca na Vitrola o símbolo da Jovem Guarda: "Nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que o meu amor, nem mais bonito. Me desespero a procurar alguma forma de lhe falar, como é grande o meu amor por você...".

Década de 70
Ele chega na casa da mina de Kombi, com tala larga, sacode o cabelão estilo "paz e amor, bicho", abre a porta prá ela entrar e bota AQUELE melô jóia no toca-fitas: "Foi assim, como ver o mar, primeira vez que os meus olhos se viram no teu olhar... Quando eu mergulhei no azul do mar, sabia que era amor e vinha pra ficar...".

Década de 80
Ele telefona pra ela e deixa rolar um: "Fonte de mel, nos olhos de gueixa, Kabuki, máscara. Choque entre o azul e o cacho de acácias, luz das acácias, você é mãe do sol. Linda...".

Década de 90
Ele liga pra ela e deixa gravada na secretária-eletrônica: "Bem que se quis, depois de tudo ainda ser feliz. Mas já não há caminhos pra voltar. E o que é que a vida fez da nossa vida? O que é que a gente não faz por amor?".


No ano 2000

Ele para o chevetinho 81 rebaixado e no mais alto volume solta o som: "Tchutchuca! Vem aqui com o teu Tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão! Eu vou passar cerol na mão, vou sim, vou sim! Eu vou te cortar na mão! Vou sim, vou sim! Vou aparar pela rabiola! Vou sim, vou sim!"Ele pergunta: - Já é ou já foi? Ela responde: - Já é! Então o marmanjo solta outro pancadão: "Abre as pernas, faz beicinho, vou morder o seu *$%=@... Vai Serginho, vai Serginho... Vem minina num si ispanta, vô *$%=@ na tua garganta..." ou a não menos famosa “Meti na xana pa vê, meti na xana, meti na xana pá vê, meti na xana”. Isso sem contar aqueles marmanjos que enchem o carro (do pai, financiado em 287 vezes, coitado) de macho e ficam mexendo com as moças na avenida Júlio Assis, principalmente nos fins de semana (é sério, só você ir lá conferir) , berrando: "Ô gostosa, senta na minha #%¨#%¨@, vem pegar no %$#@ e balança, sua #$%%$)) ” e outras pérolas do gênero e, obviamente, tendo ao fundo aquela maravilhosa canção do MC Créu: “Pra dançar creu tem que ter habilidade. Eu venho te lembrar que ela não e mole não. Eu venho te falar que são cinco velocidades...”

Onde foi que nós erramos? Será que ainda é possível piorar?
Tenho receio do que virá no futuro...
Um país que já venerou Pixinguinha, astros da Velha Guarda e o maravilhoso rock nacional, ajoelha-se perante a esses verdadeiros lixos culturais, tais como Mc Créu e Dj Bola de Fogo.
Não quero aqui dar uma de calvinista e nem parecer idealizador de nenhuma seita religiosa fundamentada no “aquilo é certo e aquilo é errado” e se estou passando esta imagem aos leitores do blog, me perdoem. Mas é fato que o gosto musical do brasileiro anda de mal a pior. Qualquer porcaria é colocada em ritmo de funk na internet e cinco minutos depois todo mundo está ouvindo.
Qual é a saída? Como fazer para melhorar?
Como já escrevi anteriormente, gosto musical tem muito a ver com a intelectualidade da pessoa, mas será que temos tantas pessoas superficiais e sem o mínimo de crítica para discernir o que é bom e o que é ruim? Ou eu é que sou chato, afinal os tempos mudaram e ISSO é que se chama de música inteligente?
Cada um tem a sua opinião e tenho até medo de parecer piegas ao dizer tais palavras, mas vocês já repararam que as pessoas que curtem esse tipo de som nunca pegaram um livro na mão, pensam que o Barack Obama é astro de Hollywood e ficam vidradas nas novelinhas das nove ou no ridiculamente imbecil Big Brother?

Esses dias ouvi minha irmã cantarolando "Má qui homi gostoso vem, qui vem quero dinovo...". Eu disse pra ela: "Mas com tanta música boa, você vem me escutar isso?". Numa tentativa de mudar sua opção musical enquanto ela é nova, mas sabe o que é o pior? Ela não ouviu nada do que eu disse: tava com um fone no ouvido rsssss.

E isso que falei pra ele, pelo menos imagino, é verdade. Aqui em Beltrão mesmo temos grandes músicos e ótimas bandas que não tocam em lugar nenhum, limitam-se às garagens de suas casas, sem o mínimo de divulgação e estão fadadas a extinção. Sei pouca coisa de música e uma vez tentei aprender violão, mas não passei dos primeiros seis meses de aula. Entretanto, creio que no dia em que nossas crianças tiverem aula de educação musical nas escolas, poderemos ter um país melhor, ou, pelo menos, mais inteligente.

Radiophonics: o sonho começa agora

Por Cristiane Sabadin
Quatro rapazes, quatro estilos diferentes que se uniram e formaram um som único e inconfundível: a Radiophonics. A banda juntou dois integrantes de Francisco Beltrão, Digão (vocal) e Marcelo (bateria), e outros dois da cidade vizinha Pato Branco, Brod (baixo) e Jabuti (guitarra). Formada em 2004, a Radiophonics uniu nos quatro músicos o melhor do rock e pop do Sudoeste do Paraná.
Após uma pausa de um ano, onde os integrantes seguiram por caminhos e países diferentes, retomaram os trabalhos e começaram a conquistar o reconhecimento de fãs tocando em bares da região; a banda colocou o pé na estrada e partiu para desafios maiores. A Radiophonics tocou em São Paulo. O primeiro show na capital foi na Outs, um rock bar idealizado por frequentadores do circuito musical alternativo, localizado na tradicional Rua Augusta. Na casa que já recebeu em seu palco bandas nacionais e gringas, os meninos da Radiophonics deixaram sua marca: o bom e velho rock do Sul do país. Vale ressaltar que a Outs foi considerada pela revista Veja um dos bares mais underground do país. A banda passou também pela Mata Café, no bairro Itaim Bibi — o bar já foi palco todas as quintas-feiras da banda de Junior Lima. E os meninos já estiveram por lá.
Na bagagem durante as viagens para cada show, os Radiophônicos levam o talento e carisma de meninos interioranos, com jeito de sobra para encarar o país. Pelos bares onde tocam ganham mais adeptos do som dançante e das letras papo-cabeça de Digão. Letras que colocam para fora o que uma galera inteira pensa e quer dizer: fala de amor, amizade, família, dúvidas, sofrimento, alegria. As belas composições de Digão enfim ganham vida na voz inconfundível e única do vocalista, nos rifes de guitarra de Jabuti, no baixo bem traçado de Brod e nas batidas ritmadas de Marcelo.
O quarteto tem na cara, e especialmente na ideologia, a influência de outro quarteto histórico: John, Paul, George e Ringo, The Beatles. Mas a lista dos ídolos que despertaram nos quatro meninos a vontade de seguir o caminho da música é longa. Agora, após cinco anos na estrada, a banda acaba de gravar seu primeiro CD independente. A Radiophonics começa a ganhar a certeza que os fãs já têm desde os primeiros shows e ensaios na garagem: “vamos ser a melhor banda do Brasil.” Ninguém duvida.

Cristiane Sabadin é jornalista do Jornal de Beltrão, fã incondicional e radiophônica assumida.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

COMPROVARAM A RELAÇÃO ENTRE MAU-GOSTO E BURRICE. SÉRIO!!!!

Ok, me crucifiquem, ou joguem pedras se preferirem. Eu sou a favor da tolerância, da amizade, da alegria, da aceitação, da igualdade. Mas bem lá no fundo da alma, eu sempre acreditei que havia um bom motivo para debochar de quem gostasse de música ruim. E sempre achei que houvesse uma relação entre ‘música ruim’ e ‘gente estúpida’, mas infelizmente nunca pude provar absolutamente nada. Claro que, com a noção de que isso era algo absolutamente irracional, embora obtivesse algumas provas da minha teoria no convívio social, podei esse pré-julgamento absurdo depois que cresci e ganhei certa maturidade, até pra não prejudicar minhas relações e não me tornar uma pessoa detestável. Como cientistas desocupados são a classe que, estatisticamente, mais cresce no planeta, alguns deles publicaram um estudo chamado ‘Músicas que te fazem ficar estúpido‘. Eles compararam o gosto musical de alguns estudantes com as notas que eles tiraram no SAT, um exame que pode ser considerado o ‘vestibular padrão’ norte americano - testa mais ou menos as mesmas competências que o nosso - e descobriram que quem tirou as notas mais altas ouve Beethoven, enquanto quem tirou as mais baixas curte Lil’ Wayne. A vitória tardou, mas não falhou!!!!! Uhuull, eu sabia!!!!!. Não sei o que acontece se você considerar que esses exames acadêmicos não medem nada senão sua capacidade de ir bem na escola, que todos nós sabemos, não está relacionada quase nunca com sua inteligência ou genialidade (eu mesmo já reprovei na escola). Mas ignoremos a verdade politicamente correta e nos atenhamos aos fatos, à comprovação científica - agora eu tenho argumentos sólidos para não me aproximar dos fãs de Reggaeton e/ou funk. Claro que só o fato de você declarar, deliberadamente e com orgulho para um pesquisador, que é fã de Reggaeton e/ou de funk já denota algum grau de estupidez por si só. A questão principal é: será que esse tipo de música deixa essas pessoas estúpidas ou essas pessoas ouvem essas músicas por serem estúpidas? Ou então, mais alarmante ainda, a estupidez é uma característica que alimenta o gosto por música ruim, e a música ruim aumenta sua estupidez, num ciclo sem fim que vai terminar com você babando, com o dedo na boca e ouvindo a discografia completa do Latino ou do DJ Bola de Fogo?Por enquanto só fico na especulação, até que outra meia dúzia de pesquisadores me respondam essas dúvidas. De qualquer forma, o mesmo site divulgou também a lista de "Livros que te fazem ficar estúpido". De acordo com essa incrível e maravilhosa pesquisa, quem lê a Bíblia é ainda mais estúpido do que quem não lê nenhum tipo de livro! Puta que pariu ! E, pra que ninguém ofenda ou taque pedrada na minha mãe, acho a Bíblia um grande livro, muito bom mesmo (apesar de ter certo medo do livro de Apocalipse). Mas é provavelmente o mais perigoso deles se cair em mãos (ou em olhos)… estúpidos. Esse textoserve basicamente pra você zuar aquele seu amigo que acha que o Dan Brown é o melhor escritor de sua geração e que Nickelback é genial (normalmente, essas características se cruzam nos mesmos tipos de pessoas, o que aumenta ainda mais a veracidade da pesquisa). Mas acho que é importante dizer que… é tudo brincadeira. E na vida mesmo, acho que mais inteligente que o leitor de Cem Anos de Solidão ou que o ouvinte de Beethoven é quem, além desses, também leu a Bíblia e os livros do Dan Brown, e como se não bastasse também sabe cantarolar meia dúzia de canções do Bola de Fogo (se é que ele tem tudo isso de músicas gravadas) e já ouviu um pouco de reggaeton. E se você perguntar ‘até a discografia do Latino entra nesse exemplo?’, eu vou ponderar, mas depois… pensa bem: se eu te disser, agora, rapidinho - ‘Oh Baby, me leva’ - quanto tempo você vai demorar pra tirar esse lixo da tua cabeça? Pois é.
E você vai negar que exista algum tipo de genialidade em conseguir fazer músicas que sejam tão involuntária e incessantemente repetidas pelo cérebro de todo mundo que as ouve, até de quem não gosta delas?

Ah, agradecendo meu colega de profissão, Peruffinho, que me ‘emprestou’ um espaço em seu blog pra mim publicar todo tipo de texto (m******) que passa pela minha fértil cabeça e que não posso colocar no jornal. Valeu aê cara, nos próximos dias postarei mais alguma coisa!

Exclusivo! Banda sudoestina lança CD na internet




O endereço é www.tramavirtual.com/radiophonics


A banda Radiophonics disponibilizou seu 1º CD com 10 músicas na internet. O grupo já existe há quase quatro anos e possui quatro integrantes em sua formação com uma vasta experiência no ramo musical tendo tocado em várias bandas da região.

Quem não se lembra da música “Fuscão Preto” que foi o tema da gincana da independência. Talvez o compositor Rodrigo já esteja cansado de ouvir esta referência, mas com certeza foi o single que coroou o grupo Supersonique, propulsor da carreira dele com dois discos gravados.

A banda Radiophonics com músicas criativas e melodias ainda mais grudentas mistura toda a história dos músicos ao estilo inigualável. Infelizmente o grupo deve se contentar em disponibilizar seus hits na internet gratuitamente, já que o paradigma da boa música está ilustrado apenas nas capas das grandes gravadoras que cospem seus hits aos ouvintes menos racionais.

Em entrevista à redação, Rodrigo se esquivou quando perguntado sobre quem compõe as músicas. “Eu acho meio chato falar sobre isso. Todos na banda ajudam”, disse. Segundo ele o foco da banda é achar uma gravadora. “Não quero ganhar dinheiro com a música, só quero que ouçam e apreciem a nossa arte”, finalizou.

Rodrigo Castellani e a Radiophonics




Giancarlo Rufatto

Se existe um cara que deveria ter sua carreira musical reconhecida no estado Paraná, este cara é Rodrigo Castellani – vocalista e guitarrista da banda Radiophonics.

Ouço falar deste rapaz e de suas bandas desde que tinha 15 anos e estudava no Cefet de Pato Branco – no sudoeste do estado. Digão - alem de ser um ótimo compositor, é o melhor cantor que eu já vi cantando rocks em português, faz parecer fácil o ato de subir e descer oitavas da voz. Na época, enquanto estava por ai brincando de carrinho, o rapaz já estava gravando seus primeiros trabalhos com a Camonha – uma banda grunge bem nos moldes de Soundgarden e Pearl Jam. O Camonha sobreviveu até meados de 2000, gravou algumas demos (e participou da mesma coletânea “poprock mania” que a minha banda da época – a Julian Trip) e um cover de Fuscão Preto – um clássico do nosso cancioneiro popular.

Escudado por seu irmão Rafael Castellani, em meados de 2001 a Camonha passou a se chamar Supersonique e esta foi a melhor banda que a região mais pobre do estado do Paraná teve (posição esta disputada páreo a páreo com a Eu e Mais Dois). Gravaram dois discos, o primeiro – “O Monstro mais popular entre os seus fantasmas” chegou a tocar em rádios da região, foi base para vários shows que vi em todas as bibocas que abriam e fechavam sempre nos mesmos pontos das cidades de Pato Branco e Francisco Beltrão. A produção ruim do primeiro disco foi consertada no segundo “Dinastia Invisível”, um ótimo disco de rock cheio de hits radiofônicos (ouça “docinho” no Myspace e comprove o tino pop), mas que infelizmente quase ninguém ouviu.

Atribuo grande parte do ostracismo e do desconhecimento da existência de música pop feita nesta região ao deslumbramento e a total falta de know-how dos próprios músicos para com as manhas do entretenimento. Caras como Otavio Keulbeck (que também fez parte da Supersonique) que, em seus shows se apresenta para centenas de pessoas, é sucesso regional - dentro de um raio de mais ou menos 200km - mas ninguém no ramo da música pop fora informado de sua existência até hoje. É como se houvesse uma barreira invisível que impedisse os músicos e suas canções de cruzarem o estado. Com o Supersonique o processo foi o mesmo, ótimos músicos com ótimas musicas, mas que falhavam na etapa seguinte – a da divulgação e, isso nos leva à Radiophonics, banda que Digão montou após o fim da Supersonique.

A banda acaba de lançar uma bela canção no Myspace - Mosaico que provavelmente será um sucesso na região sudoeste, mas e fora dela?

(...)