A música curativaA idéia de que a música afeta a saúde e o bem-estar das pessoas já era conhecida por Aristóteles e Platão. Somente na segunda metade do século 20, porém, os médicos conseguiram estabelecer uma relação entre a música e a recuperação de seus pacientes.
O início
A palavra música é de origem grega, "musiké", e designava não só a melodia executada através de instrumentos, mas também o canto e a dança. As três artes apresentavam-se ligadas, nos tempos antigos, tendo sido apreciadas por ricos e pobres, indistintamente, em todas as civilizações. Os egípcios, os sumérios, os assírios, os fenícios, os judeus, os chineses inventaram os antepassados de nossos instrumentos musicais. Os gregos gostavam muito de música, tanto que chegaram a preparar belos festivais por ocasião das grandes cerimônias religiosas e introduziram o canto coral nos espetáculos teatrais.
Os testes evidenciam
Durante seis meses, os pesquisadores analisaram as reações do cérebro, as condições da laringe e o poder de acústica da voz dos dois grupos de pessoas (cantores e não-cantores), utilizando técnicas e equipamentos como Eletro-encefalograma, para o mapeamento cerebral, e um analisador acústico digital.
Os pesquisadores comentam que foi observada também uma ativação das áreas relacionadas à linguagem. Este fato sugere que a estimulação musical precoce possa levar a um melhor domínio da linguagem verbal. "Se a criança for estimulada desde cedo com a música, ela vai desenvolver partes do cérebro mais do que outras" concluem.
Memória e atenção redobradas
Eles descobriram que o grupo que tinha aulas de música tinha desempenho melhor em testes de memória - desenvolvidos também para avaliar as habilidades da criança em alfabetização e matemática. O estudo, publicado na revista científica online Brain, também mediu as mudanças nas respostas cerebrais das crianças a sons.
Os pesquisadores identificaram mudanças no grupo “musical” em um período de até quatro meses. “Este é o primeiro estudo que mostra que as respostas do cérebro em crianças jovens treinadas e não treinadas musicalmente evoluem de forma diferente no período de um ano”, diz o pesquisador-chefe Laurel Trainor.
Música analgésica
Uma pesquisa feita nos Estados Unidos confirmou que ouvir música pode ter um efeito positivo sobre pessoas que sofrem de dores crônicas. A equipe de pesquisadores testou os efeitos de música em 60 pacientes que há anos sofriam de dores crônicas.
De acordo com o estudo, divulgado pela publicação especializada Journal of Advanced Nursing, a redução dos níveis de dor daqueles que ouviam música foi 21% superior do que a dos que não ouviam. O índice dos que sentiam depressão em decorrência da dor crônica também diminuiu 25%, enquanto que o índice dos que não escutavam música com regularidade permaneceu inalterado.
Os participantes da pesquisa foram pessoas que vinham sofrendo de condições como osteoartrite, problemas de disco e artrite reumática há mais de seis anos.
"Nossas conclusões mostraram que ouvir música tem um efeito estatístico considerável, reduzindo sensações de dor, depressão e incapacidade e aumentando sensações de poder.”, afirma a Dra. Sandra Siedlkecki, da Cleveland Clinic Foundation, instituição por trás do estudo.
Sono perfeito
Apenas 45 minutos de música relaxante antes de dormir podem ser o suficiente para garantir uma boa noite de sono, segundo pesquisadores de Taiwan. Os especialistas avaliaram os padrões de sono de 60 pacientes, todos com problemas para dormir.
Eles disseram ao Journal of Advanced Nursing que a técnica é fácil de aprender e não tem os efeitos colaterais de outros tratamentos.
Os participantes da pesquisa podiam escolher entre ouvir música ou nada antes de dormir. Os que optaram pela música podiam escolher entre cinco tipos diferentes de música suave, lenta, como jazz, músicas folclóricas ou de orquestra.
As pessoas do grupo que ouvia música comunicaram uma melhora de 35% no seu sono, incluindo uma noite de sono mais longa e melhor e menos disfunções durante o dia.
Ouvir música provoca mudanças físicas que ajudam o sono repousante, incluindo ritmo mais baixo de respiração e do coração, segundo os pesquisadores.
Os sentidos
A execução de um instrumento musical qualquer exige uma percepção dedicada de todos os sentidos. Quando um músico em uma orquestra, por exemplo, lê a partitura, está distinguindo diversas formas espaciais de tamanhos milimétricos, exigindo um refinamento do sentido da visão. Além disso, ele tem de diferenciar diversas modalidades de som, como timbre, ritmo e intensidade sonora.
O efeito Mozart
Pedro Henrique Leite, beltronense, 20 anos, estudante de direito em Curitiba, teve influência de seu avô, Heitor Ferreira Leite, primeiro músico instrumentista de Francisco Beltrão, as especialidades deste eram violino, violão clássico, trompete, sax e acordeom. “Com ele aprendi as coisas básicas da música e principalmente a gostar da produzir música”, diz.
João Pedro Busetti, 20 anos, beltronense e estudante de arquitetura em Curitiba, diz que foi influenciado por seu irmão quando este comprou uma guitarra. “Cada um tem sua particularidade, é complicado preferir um instrumento, mas um violão bem tocado sempre cai bem.” João, que hoje prefere ouvir músicas nacionais, diz que a música já é utilizada pedagogicamente em muitos lugares e que há um manifesto pela implantação do ensino de música nas escolas. Quanto às propriedades curativas da música, diz que se refugia ouvindo música quando envolvido por tristezas, más sempre com a cabeça no lugar. “A música prova que nós não somos tão diferentes quanto imaginamos, todos são tocados de alguma forma pela música.” argumenta ainda.
Fabíola Pereira é beltronense e estuda direito no Cesul, é professora de Técnica Vocal e Violão da escola de música Arte & Som. Ela diz que foi influenciada pelo pai que quis que ela fizesse aulas de violão, embora, hoje, ela prefira o piano. Segundo Fabíola, o gosto por determinados estilos, pode dizer muito da pessoa e até da maneira que ela se veste. “Quando eu estou triste procuro muito a música, ela ajuda a aliviar toda aquela dor, você precisa expressar aquilo, é uma forma de alívio, de desabafo.”, acrescenta.
